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23 de fevereiro de 2012

Mortalidade materna caiu 19% em 2011.

Apesar da redução, mortes por causa evitável cresceram e País segue distante das metas do milênio.

O número de mortes entre gestantes no Brasil caiu 19%, apontam dados preliminares divulgados pelo Ministério da Saúde na tarde desta quinta-feira (23). A expectativa da pasta é de que, este ano, o País atinja a maior queda na mortalidade materna da década.
Apesar da boa notícia em relação ao total de mortes, os óbitos por causas evitáveis – doenças prévias à gravidez, como doenças cardíacas, circulatórias, câncer e lúpus – seguem aumentando.
A redução apresentada pelo Ministério se baseia nos números registrados entre gestantes no primeiro semestre de 2011. Nos primeiros meses do ano passado, 705 grávidas morreram no Brasil. No mesmo período de 2010, o número foi de 870.
“Devemos alcançar a maior redução da taxa de mortalidade nos últimos dez anos, mas os números ainda são muito elevados e distantes das metas do milênio”, afirmou o ministro Alexandre Padilha, se referindo ao compromisso firmado com a Organização das Nações Unidas (ONU) de reduzir em três quartos a taxa de mortalidade materna entre 1990 e 2015.
Leia: Brasil descumprirá metas do milênio para mortalidade materna, diz estudo
Os dados divulgados pelo ministério revelam, por exemplo, que a principal causa de morte entre as gestantes continua sendo a hipertensão gestacional. Desde a década de 1990, essa era a principal causa de morte de grávidas. Naquele ano, a cada 100 mil nascidos vivos, 40 mulheres faleciam por causa de pressão alta durante a gravidez. Uma década depois, o número reduziu para 21 e em 2010 para 13,8 – uma queda de 66% nos últimos dez anos.
Leia: Pré-eclampsia mata três mulheres por dia no País
Em segundo lugar está a hemorragia (7,9 mulheres em cada 100 mil nascidos vivos), seguida de infecção pós-parto (4,4 mulheres a cada 100 mil bebês), doenças circulatórias prévias à gravidez (4,2 mulheres por 100 mil bebês) e aborto (3 mulheres por cada 100 mil).
Além das doenças e complicações surgidas durante a gravidez ou após o parto – elas respondem por 80% das mortes entre gestantes – as outras causas de morte materna, as chamadas “causas indiretas”, são condições pré-existentes que se complicam com a gravidez, como doenças cardíacas e do aparelho circulatório, câncer e lúpus. Essas, apesar da queda geral da mortalidade materna, continuam crescendo. Em 1990, para cada 100 mil bebês nascidos vivos no País, 13 mulheres morriam de causas indiretas. Em 2000, a razão subiu para 17,9 a cada 100 mil nascidos vivos e, em 2010, o índice alcançou 19,5.
Para o ministro, ainda é preciso aumentar o estímulo de participação das gestantes nos programas de pré-natal e melhorar a qualidade do atendimento oferecido nas unidades de saúde.


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Fonte: Priscilla Borges, iG Brasília | 23/02/2012

 

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